Após o verão escaldante de 2021, com temperaturas recordes, o hemisfério norte recebeu um inverno rigoroso, com muita neve, inclusive no Deserto do Saara, um dos lugares mais quentes da Terra. Por outro lado, o hemisfério sul foi assolado por um calor abrasador, com temperaturas chegando a 50°C na Austrália Ocidental, e gigantescos icebergs na Antártida derreteram. Então, o que aconteceu com a Terra? Por que os cientistas dizem que a sexta extinção em massa pode ter chegado?
Sendo o maior deserto da Terra, o clima do Deserto do Saara é extremamente seco e quente. Metade da região recebe menos de 25 mm de chuva por ano, e algumas áreas chegam a ficar vários anos sem chuva. A temperatura média anual na região atinge 30 °C, e a média do verão pode ultrapassar os 40 °C por vários meses consecutivos, com a temperatura mais alta já registrada chegando a 58 °C.
Mas, em uma região tão extremamente quente e árida, raramente nevou neste inverno. A pequena cidade de Ain Sefra, localizada no norte do Deserto do Saara, foi coberta de neve em janeiro deste ano. A neve cobriu o deserto dourado. As duas cores se misturavam, criando uma cena particularmente peculiar.
Quando nevou, a temperatura na cidade caiu para -2°C, alguns graus abaixo da média dos invernos anteriores. A cidade havia registrado quatro nevascas nos 42 anos anteriores, a primeira em 1979 e as três últimas nos últimos seis anos.
Neve no deserto é muito rara, mesmo que o inverno seja muito frio e a temperatura possa cair abaixo de zero. O deserto é muito seco, geralmente com pouca umidade no ar, e a precipitação, seja de chuva ou neve, é escassa. A queda de neve no Deserto do Saara serve como um alerta sobre as mudanças climáticas globais.
O meteorologista russo Roman Vilfan relatou nevascas no Deserto do Saara, ondas de frio na América do Norte, clima muito quente na Rússia e na Europa, e chuvas torrenciais que causaram inundações na Europa Ocidental. A ocorrência desses fenômenos climáticos anormais está se tornando cada vez mais frequente, e a razão por trás disso é a mudança climática causada pelo aquecimento global.
No hemisfério sul, o impacto do aquecimento global já é visível. Enquanto o hemisfério norte ainda enfrentava uma onda de frio, o hemisfério sul vivenciava uma onda de calor, com temperaturas acima de 40°C em muitas partes da América do Sul. A cidade de Onslow, na Austrália Ocidental, registrou uma temperatura máxima de 50,7°C, quebrando o recorde de temperatura mais alta já registrada no hemisfério sul.
As temperaturas extremamente altas no hemisfério sul estão relacionadas ao efeito de cúpula térmica. No verão quente, seco e sem vento, o ar quente que sobe da superfície não consegue se espalhar, sendo comprimido contra o solo pela alta pressão da atmosfera terrestre, o que faz com que o ar se aqueça cada vez mais. O calor extremo na América do Norte em 2021 também foi causado pelo efeito de cúpula térmica.
No extremo sul da Terra, a situação não é otimista. Em 2017, o gigantesco iceberg de número A-68 se desprendeu da plataforma de gelo Larsen-C, na Antártida. Sua área pode chegar a 5.800 quilômetros quadrados, o que é próximo à área de Xangai.
Após se desprender, o iceberg ficou à deriva no Oceano Antártico. Percorreu uma distância de 4.000 quilômetros em um ano e meio. Durante esse período, o iceberg continuou a derreter, liberando cerca de 152 bilhões de toneladas de água doce, o equivalente à capacidade de armazenamento de 10.600 lagos do oeste.
Devido ao aquecimento global, o derretimento das geleiras nos polos norte e sul, que retêm grandes quantidades de água doce, está se acelerando, causando a contínua elevação do nível do mar. Além disso, o aquecimento da água oceânica também provoca a expansão térmica, aumentando o tamanho dos oceanos. Cientistas estimam que o nível global do mar esteja agora entre 16 e 21 centímetros mais alto do que há 100 anos, e que esteja subindo a uma taxa de 3,6 milímetros por ano. Com a contínua elevação do nível do mar, a erosão das ilhas e das áreas costeiras de baixa altitude continuará, ameaçando a sobrevivência dos seres humanos nessas regiões.
As atividades humanas não apenas invadem ou até destroem diretamente os habitats de animais e plantas na natureza, mas também emitem uma grande quantidade de dióxido de carbono, metano e outros gases de efeito estufa, causando o aumento da temperatura global, resultando em mudanças climáticas e maior probabilidade de ocorrência de climas extremos.
Estima-se que existam cerca de 10 milhões de espécies vivendo atualmente na Terra. Mas, nos últimos séculos, cerca de 200 mil espécies foram extintas. Pesquisas mostram que a taxa atual de extinção de espécies na Terra é mais rápida do que a média histórica, e cientistas acreditam que a sexta extinção em massa pode ter chegado.
Ao longo dos últimos milhões de anos, dezenas de eventos de extinção de espécies, de grande e pequena escala, ocorreram na Terra, incluindo cinco eventos de extinção em massa extremamente severos, que levaram ao desaparecimento da maioria das espécies do planeta. As causas dos eventos de extinção anteriores foram todas naturais, e acredita-se que o sexto seja de origem humana. A humanidade precisa agir se não quisermos ser extintos como 99% das espécies da Terra já foram.
Data da publicação: 12 de abril de 2022
